A degradação da terra e a seca custam à economia mundial quase US$ 900 bilhões por ano e afetam até 40% das áreas terrestres do planeta, segundo informações apresentadas no contexto da 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), realizada na Mongólia.
O problema alcança aproximadamente 3,2 bilhões de pessoas. Seus efeitos aparecem na perda de fertilidade do solo, na redução da disponibilidade de água, na insegurança alimentar, na pobreza rural e em deslocamentos populacionais. Desde 2000, a ocorrência de secas aumentou quase um terço, com perdas anuais estimadas em pelo menos US$ 300 bilhões.
Por que a restauração é urgente
Solo saudável armazena água, sustenta a produção de alimentos e ajuda a manter a biodiversidade. Quando a cobertura vegetal desaparece e práticas inadequadas aceleram a erosão, a recuperação pode levar muitos anos. Restaurar não significa apenas plantar árvores: inclui manejo de pastagens, agricultura regenerativa, proteção de nascentes, recuperação de áreas úmidas e uso responsável da água.
A COP17 reúne governos, cientistas, comunidades, empresas e organizações civis para transformar compromissos em ações mensuráveis. A Mongólia, país anfitrião, colocou em destaque as pastagens e os modos de vida que dependem delas. Esses ecossistemas cobrem mais da metade da superfície terrestre e sustentam centenas de milhões de pessoas.
Economia, clima e alimentos estão conectados
A degradação reduz a produtividade agrícola e aumenta a exposição a choques climáticos. Quando a terra perde capacidade de reter água, uma estiagem pode se tornar mais destrutiva; quando chuvas fortes chegam a um solo desprotegido, cresce o risco de erosão e assoreamento.
Investimentos em restauração podem gerar benefícios econômicos, mas precisam de planejamento, acompanhamento e participação das comunidades. Projetos mal desenhados — como o plantio de espécies inadequadas ou sem manutenção — podem desperdiçar recursos e até pressionar ecossistemas locais.
O que acompanhar depois da conferência
Os resultados mais importantes serão os mecanismos de financiamento, as metas verificáveis e a forma como países integrarão restauração, combate à seca, biodiversidade e clima. Transparência sobre indicadores e resultados será essencial para distinguir promessas de recuperação efetiva.





