Um ataque a tiros perto de Hebron, na Cisjordânia ocupada, deixou dois soldados israelenses e dois atacantes palestinos mortos nesta sexta-feira, 23 de outubro. Após o confronto, o governo de Israel anunciou um cerco à área de Hebron e determinou que as forças de segurança se preparassem para ampliar os bloqueios em todo o território.
A escalada ocorreu a poucos dias da eleição parlamentar israelense e aumentou a tensão em uma região onde restrições de circulação, operações militares e ataques de colonos já vinham se intensificando. O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com o aumento da violência e pediu que todas as partes interrompam imediatamente os atos violentos.
O que ocorreu perto de Hebron
Segundo as Forças Armadas de Israel, citadas pela Associated Press, dois homens palestinos chegaram a uma posição militar próxima ao entroncamento de Yehuda, nos arredores de Hebron, portando um fuzil M16 e uma pistola. O tiroteio durou cerca de 20 minutos.
Os soldados mortos foram identificados pelo Exército israelense como o sargento Ron Yonatan Roytman, de 23 anos, e o sargento Yuval Shai Svilem, de 20. Outros três militares ficaram levemente feridos, de acordo com a mesma fonte. Os dois suspeitos também foram mortos por forças israelenses.
O Exército afirmou que a ação impediu um ataque contra civis e disse ter encontrado grande quantidade de munição no veículo usado pelos homens. Essas são declarações das autoridades israelenses; não havia, até a publicação desta reportagem, uma apuração independente completa sobre o objetivo dos atacantes.
Cerco, buscas e demolições
O gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou o cerco imediato a Hebron e preparativos para um fechamento mais amplo da Cisjordânia. Netanyahu anunciou uma operação no bairro de origem dos atacantes, com buscas de casa em casa, retirada de armas e destruição do que o governo israelense classificar como infraestrutura militante.
Segundo a Associated Press, forças israelenses realizaram dezenas de operações ao longo do dia, prenderam suspeitos e apreenderam armas. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, também determinou a demolição de construções palestinas próximas ao local do ataque, alegando que elas haviam sido erguidas sem autorização.
As restrições afetam principalmente a circulação de palestinos entre vilas e cidades. A AP informou que as estradas permaneciam abertas para motoristas israelenses, embora com possíveis atrasos. O fechamento desta sexta-feira foi o quarto conjunto de restrições de alcance territorial registrado no intervalo de um mês, segundo a agência.
ONU pede fim da violência
A ONU disse estar extremamente alarmada com a intensificação da violência e com os bloqueios generalizados impostos após o ataque. Guterres condenou o episódio e também recordou a obrigação de Israel, como potência ocupante segundo o direito internacional, de proteger a população palestina e responsabilizar autores de ataques contra civis.
A organização voltou a pedir que todas as partes cessem imediatamente os atos de violência. O apelo ocorre em um contexto de aumento de ataques de colonos israelenses contra palestinos e de operações militares na Cisjordânia.
Pressão política antes da eleição
O ataque e a resposta israelense entraram imediatamente no debate político. Netanyahu tenta renovar seu mandato na eleição marcada para a próxima terça-feira. Integrantes da ala mais à direita do governo defenderam medidas ainda mais amplas contra a Autoridade Palestina, embora não houvesse evidência apresentada de participação da instituição no ataque.
A proximidade da votação amplia o risco de decisões de segurança serem usadas na disputa eleitoral. Ao mesmo tempo, as medidas anunciadas têm efeitos diretos sobre milhões de palestinos que dependem de postos de controle e estradas para trabalhar, estudar e acessar serviços de saúde.
A extensão e a duração do fechamento ainda não estavam claras. A situação permanece sujeita a mudanças rápidas, e novos dados sobre os feridos, as prisões e o alcance das operações podem ser divulgados pelas autoridades e por organismos internacionais.
Fontes
- Associated Press — ataque, vítimas e medidas anunciadas
- ONU News — reação do secretário-geral e bloqueios
- NPR — contexto da resposta israelense
Imagem de arquivo: soldados israelenses bloqueiam uma rua em Hebron, em fevereiro de 2018. Crédito: Yoram Sorek/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.




