Impacto humanitário e destruição de suprimentos
Desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, o sistema de saúde do país tem sido alvo constante de ataques. Segundo dados divulgados na sexta-feira (28 de agosto de 2026) pelo representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) na Ucrânia, Jarno Habicht, foram contabilizados 3.205 ataques contra instalações de saúde. A declaração ocorreu após uma nova onda de ataques noturnos que atingiu diversas regiões do país.
A situação é agravada pela destruição deliberada de armazéns humanitários. Apenas em 2026, a OMS registrou 20 ataques a depósitos de ajuda, sendo que 13 deles continham suprimentos médicos essenciais. Incidentes recentes em Kiev, em julho, e em Dnipro, em agosto, resultaram na perda de medicamentos e equipamentos que seriam destinados a cerca de 225 mil pessoas. Além da OMS, outras agências, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), relataram danos a seus armazéns na região de Kiev, o que compromete a capacidade de resposta humanitária antes da chegada do inverno.
Desafios operacionais e assistência em áreas remotas
Apesar do cenário de perigo extremo, a OMS e seus parceiros continuam as operações de entrega de insumos. Até o momento, nove comboios humanitários da OMS e 22 comboios interinstitucionais da ONU realizaram entregas em mais de 50 assentamentos de difícil acesso. O suporte da organização permitiu que equipes de atenção primária realizassem mais de 13 mil consultas nos últimos oito meses, além da distribuição de kits de medicamentos para 28,4 mil pessoas em locais onde as farmácias não operam.
Como medida preventiva para o inverno, a OMS já instalou 30 sistemas de aquecimento em instalações médicas e planeja a instalação de outros 22 antes da queda das temperaturas. O objetivo é garantir que hospitais, laboratórios e centros de saúde primária continuem operando, tendo a organização já fornecido equipamentos para mais de 300 unidades de saúde, beneficiando cerca de três milhões de pessoas.
Saúde mental dos profissionais de linha de frente
Um dos pontos mais críticos destacados pelo relatório é a exaustão dos trabalhadores da saúde ucranianos. Um estudo recente da OMS revelou que mais de um quarto dos médicos e enfermeiros apresentam sintomas compatíveis com transtorno depressivo, enquanto um em cada cinco exibe sinais de transtorno de ansiedade.
Para mitigar esse impacto, a OMS integrou técnicas de primeiros socorros psicológicos e habilidades de autocuidado no treinamento de equipes de ambulância. Mais de 40 especialistas de 11 regiões já concluíram o treinamento. Além disso, um programa voltado para profissionais de reabilitação e atenção primária, que conta com mais de 700 participantes, tem demonstrado resultados positivos na redução de sintomas de estresse, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Contexto dos ataques recentes
As informações preliminares fornecidas pelas autoridades indicam que os ataques ocorridos entre a noite de quinta-feira e a manhã de sexta-feira deixaram pelo menos 12 civis mortos e mais de 65 feridos. O porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, reiterou a condenação do Secretário-Geral aos ataques de mísseis e drones contra centros urbanos, reforçando o apelo por um cessar-fogo imediato e incondicional para evitar o agravamento da crise humanitária.





