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Influência humana intensificou o recuo da geleira Pine Island

Estudo estima que mudanças climáticas causadas pela atividade humana ampliaram em cerca de 18% o recuo da geleira Pine Island no século XX.

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Geleira Pine Island vista durante missão Operation IceBridge da NASA

Um novo estudo de atribuição climática indica que a influência humana tornou mais intenso o recuo da geleira Pine Island, na Antártida Ocidental. A pesquisa estima que as mudanças associadas às emissões de gases de efeito estufa ampliaram em cerca de 18% o recuo ocorrido ao longo do século XX.

A Pine Island é uma das principais vias de escoamento de gelo da camada de gelo da Antártida Ocidental para o mar de Amundsen. Por isso, suas mudanças são acompanhadas de perto: a geleira responde por uma parcela importante da perda de massa da região e contribui para a elevação do nível global do mar.

Como os cientistas separaram influência humana e variabilidade natural

O trabalho foi liderado por pesquisadores do King’s College London, com participação do British Antarctic Survey, e publicado na revista científica The Cryosphere. A equipe comparou simulações da evolução da geleira sob dois conjuntos de condições: um com todos os fatores climáticos observados e outro sem a tendência de aquecimento atribuída à atividade humana.

Para reduzir a distância entre o modelo e o comportamento real da geleira, os pesquisadores incorporaram observações do recuo da linha de aterramento — a região onde o gelo deixa o continente e passa a flutuar — e alterações no volume de gelo. A análise usou um método de assimilação de dados e quantificação de incertezas para selecionar combinações de parâmetros compatíveis com as observações.

O que aconteceu com a Pine Island

Registros geológicos indicam que uma fase de recuo rápido começou na década de 1940. Mudanças naturais na circulação atmosférica e oceânica provavelmente favoreceram a entrada de água relativamente quente sob a plataforma de gelo, aumentando o derretimento pela base.

Segundo o estudo, a influência humana sobre o oceano, considerada mais evidente a partir da década de 1960, intensificou esse processo. Nas simulações sem a tendência antropogênica, o recuo ainda ocorria, mas era menor. A estimativa central aponta que a ação humana ampliou o recuo industrial em aproximadamente 18%. O comunicado do British Antarctic Survey descreve uma diferença de vários quilômetros entre cenários com e sem influência humana até 2015.

Por que o oceano é tão importante

Na Antártida Ocidental, o aquecimento não atua apenas pelo ar. A água oceânica mais quente pode alcançar as cavidades sob as plataformas de gelo e derretê-las por baixo. Quando uma plataforma se torna mais fina, ela perde parte de sua capacidade de conter o fluxo do gelo que está sobre o continente. Esse processo pode acelerar o deslocamento da geleira em direção ao mar.

A Pine Island também está assentada sobre um terreno que, em várias áreas, fica mais profundo em direção ao interior. Essa geometria pode favorecer instabilidades e tornar o recuo difícil de interromper depois de iniciado.

O que o estudo não afirma

Os autores não dizem que toda a perda de gelo foi causada exclusivamente pelas emissões humanas. A geleira já carregava a influência de mudanças naturais de longo prazo, e o evento que iniciou o recuo rápido na década de 1940 pode ter forte componente natural. O resultado de 18% é uma estimativa produzida por um conjunto de simulações e depende, entre outros fatores, do estado inicial escolhido para representar a geleira.

O próprio artigo ressalta que a perda de massa anterior ao recuo observado introduz incerteza na separação entre fatores naturais e antropogênicos. Ainda assim, os cenários compatíveis com as observações indicam que a extensão do recuo ocorrido no século XX seria improvável sem tendências climáticas associadas à atividade humana.

Consequências que atravessam séculos

As projeções sugerem que a Pine Island pode encontrar uma estabilização temporária mais adiante neste século ao alcançar uma elevação no leito rochoso. Essa pausa, porém, não representa necessariamente uma recuperação permanente. Se o aquecimento continuar, a influência humana poderá voltar a dominar o recuo no século XXII.

O resultado reforça uma característica decisiva das grandes massas de gelo: elas respondem lentamente, mas suas mudanças podem persistir por muito tempo. Emissões produzidas hoje podem influenciar a Antártida e o nível do mar por gerações.

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