O gelo marinho ao redor da Antártida atingiu em 2026 o terceiro menor máximo de inverno desde o início das observações contínuas por satélite, em 1979. A classificação aparece tanto na análise divulgada nesta segunda-feira (12) pela NASA, com dados do National Snow and Ice Data Center (NSIDC), quanto no acompanhamento independente do Instituto Nacional de Pesquisa Polar do Japão (NIPR).
NASA e NSIDC estimam que a cobertura alcançou 17,59 milhões de quilômetros quadrados em 14 de setembro. O valor considera como “extensão” todas as áreas oceânicas em que ao menos 15% da superfície estava coberta por gelo. Depois desse pico, a cobertura começou a recuar com a chegada da primavera no Hemisfério Sul.
Dois métodos, a mesma posição no ranking
O centro japonês NIPR encontrou um pico de 17,71 milhões de quilômetros quadrados em 11 de setembro. A pequena diferença de data e área não representa uma contradição: o instituto trabalha com médias móveis de cinco dias, enquanto NASA e NSIDC empregam outra série diária e critérios próprios de processamento dos sensores. As duas análises, porém, chegam à mesma conclusão central: o máximo de 2026 foi o terceiro menor em 48 anos de registro por satélite.
O relatório mensal do NIPR mostra ainda que a média de setembro ficou em aproximadamente 17,39 milhões de quilômetros quadrados, 300 mil quilômetros quadrados abaixo do mesmo mês de 2025. No fim de setembro, a extensão já havia caído para níveis próximos aos observados em 2023, ano que detém o menor valor médio para o mês na série do instituto.
As diferenças entre as regiões antárticas
A perda não ocorreu de forma uniforme ao redor do continente. Segundo o NIPR, a extensão ficou abaixo da média da década de 2010 na maior parte do entorno antártico, com déficits especialmente acentuados no mar de Amundsen e no setor do oceano Índico. Os mares de Weddell e Bellingshausen foram exceções, com áreas de gelo acima da referência regional.
Essa distribuição importa porque o gelo marinho antártico responde rapidamente a ventos, correntes, temperatura do oceano e condições atmosféricas. Por isso, os cientistas analisam não apenas o total continental, mas também onde o gelo avançou ou recuou durante a estação.
Como os satélites medem o gelo
As medições usam sensores passivos de micro-ondas. O gelo e a água aberta emitem sinais diferentes nessa faixa do espectro, permitindo que os satélites acompanhem a cobertura mesmo através de nuvens e durante a longa noite polar. A série começou no fim de 1978 com o Nimbus-7 e continuou com missões do programa meteorológico dos Estados Unidos, o Aqua da NASA e, mais recentemente, o satélite GCOM-W da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial.
O método mede a extensão da superfície oceânica com gelo, e não o volume ou a espessura total. Também é importante distinguir o gelo marinho — água do oceano que congela sazonalmente — do gelo continental acumulado sobre a Antártida.
Um padrão recente que exige acompanhamento
A cobertura antártica variou muito nas últimas décadas. Entre 1979 e 2014, a extensão total apresentou leve crescimento, com recordes de inverno entre 2012 e 2014. A partir de 2016, porém, passaram a ocorrer quedas mais pronunciadas. Em 2023, a série registrou tanto o menor mínimo quanto o menor máximo.
A NASA ressalta que a variabilidade anual ao redor da Antártida é grande e que os dados precisam continuar sendo acompanhados para separar oscilações naturais de uma mudança duradoura do sistema. Ainda assim, a repetição de valores baixos em anos recentes reforça a importância de observar a próxima temporada de derretimento e a distribuição regional do gelo.





