Ciência, clima, tecnologia e acontecimentos globais

Transparência editorial

, ,

IUCN classifica 96% dos recifes de coral rasos como criticamente ameaçados

Primeira avaliação global da IUCN aponta risco crítico de colapso para 96% dos recifes rasos até 2075, sobretudo pelo aquecimento dos oceanos.

Leitura estimada: 3 min

Recife com corais saudáveis e áreas com sinais de branqueamento em imagem de arquivo

A primeira avaliação mundial dos ecossistemas de recifes de coral em águas rasas concluiu que 96% deles estão em perigo crítico de colapso até 2075. O diagnóstico foi divulgado nesta quinta-feira (22) pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e abrange 127 ecorregiões tropicais e subtropicais em mais de 80 países e territórios.

O levantamento, produzido para a Lista Vermelha de Ecossistemas da IUCN, reúne décadas de monitoramento de corais, dados sobre degradação dos ambientes e registros de temperatura da superfície do mar. Ao todo, a área avaliada soma 188.362 quilômetros quadrados de recifes.

Risco de colapso não significa desaparecimento imediato

A classificação mede o risco de um ecossistema perder as características que sustentam sua biodiversidade. Em um recife colapsado, os corais duros que constroem sua estrutura praticamente desaparecem e são substituídos por algas, entulho e esponjas. O ambiente deixa, então, de oferecer a mesma proteção e variedade de habitats para peixes, tartarugas, moluscos e outros organismos.

Por isso, o resultado não significa que 96% dos recifes já desapareceram. A IUCN informa que a maior parte ainda está viva e pode se recuperar. Quatro ecorregiões foram classificadas como insuficientemente conhecidas, enquanto a região ocidental das Ilhas Galápagos já é considerada colapsada desde o forte El Niño de 1982–1983.

Aquecimento do oceano amplia o risco

O estresse térmico provocado pelo aquecimento global aparece como a ameaça mais constante. Ondas de calor marinhas tornam episódios de branqueamento mais frequentes e podem causar mortalidade em larga escala. A análise incorpora projeções de aquecimento futuro; quando se consideram apenas mudanças observadas nos últimos 50 anos, sem essas projeções, 24% dos ecossistemas seriam enquadrados na categoria mais grave, em vez de 96%.

Grandes sistemas conhecidos — como a Grande Barreira de Corais, na Austrália, o Triângulo de Coral, no Pacífico ocidental, o Sistema Mesoamericano e os recifes do Mar Vermelho — aparecem entre os ambientes em perigo crítico.

Pressões locais também pesam

Além do clima, sobrepesca, poluição, expansão costeira, turismo excessivo, aquicultura e tempestades mais frequentes reduzem a capacidade de recuperação. A exploração excessiva de grupos importantes, como peixes-papagaio e garoupas, afeta 63% dos ecossistemas avaliados, segundo a IUCN. Esses animais ajudam a controlar algas e a manter o equilíbrio da cadeia alimentar.

A Associated Press observou que os recifes sustentam cerca de um quarto das espécies marinhas e têm papel econômico e social direto para comunidades costeiras, com pesca, turismo e proteção contra erosão e tempestades.

Ainda há espaço para recuperação

O relatório aponta que reduzir rapidamente as emissões é indispensável para limitar o aquecimento do oceano, mas destaca medidas locais que podem ganhar tempo: ampliar áreas marinhas protegidas, reduzir a poluição, recuperar populações de peixes essenciais e restaurar habitats costeiros. A preservação de bolsões mais resistentes pode ajudar na recuperação após eventos extremos.

O diagnóstico reuniu mais de 250 especialistas e foi coordenado pela IUCN, sua Comissão de Gestão de Ecossistemas, a Universidade de Melbourne e a CORDIO East Africa, em parceria com redes regionais de monitoramento.

Fontes

Imagem de arquivo: recife com corais saudáveis e sinais de branqueamento. Crédito: NOAA/Wikimedia Commons. Domínio público nos Estados Unidos.

Mais recentes