A Ucrânia informou que ataques russos atingiram ao menos seis alvos ligados ao setor de energia entre a noite de domingo (11) e a manhã desta segunda-feira (12), horas depois de Donald Trump anunciar que Moscou e Kyiv teriam aceitado uma “trégua energética”. Até o momento, porém, não há um documento conjunto publicado nem confirmação russa de que um acordo já tenha entrado em vigor.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse que drones e mísseis continuaram a atingir a infraestrutura do país após a mensagem do presidente dos Estados Unidos. Em pronunciamento ao Fórum de Segurança de Varsóvia, ele citou uma instalação de gás e um posto de combustível entre os alvos e afirmou que uma usina em Kharkiv também foi atacada.
O que se sabe sobre os ataques
A Reuters relatou que os bombardeios noturnos mataram ao menos três pessoas em Kharkiv. Novos ataques durante a manhã atingiram edifícios residenciais e deixaram pelo menos 22 feridos, segundo autoridades municipais ouvidas pela agência. Outras três mortes haviam sido registradas no domingo na cidade ocidental de Ivano-Frankivsk.
A Associated Press também confirmou a continuidade de ataques contra instalações energéticas depois do anúncio de Trump. A agência informou que a Rússia não havia declarado adesão formal à trégua e que o Kremlin se limitou a dizer que os contatos diplomáticos prosseguiam.
A contagem de seis alvos foi apresentada pelo governo ucraniano. Ainda não existe uma avaliação independente completa dos danos em cada local, e os detalhes operacionais de uma eventual trégua — duração, início, mecanismo de verificação e consequências em caso de violação — não foram divulgados.
Anúncio sem termos públicos
Trump afirmou no domingo que Rússia e Ucrânia haviam concordado em interromper ataques aos sistemas de energia uma da outra e disse que a medida entraria em vigor imediatamente. A mensagem não apresentou termos adicionais. Kyiv respondeu que apoiaria uma suspensão recíproca, mas disse ter sido surpreendida pelo anúncio e aguardava informações sobre o entendimento entre Washington e Moscou.
Zelensky afirmou que a Ucrânia não atacou refinarias russas durante a noite e estaria disposta a manter essa suspensão se Moscou também parasse de atingir a rede ucraniana. O governo ucraniano pediu aos Estados Unidos que pressionem a Rússia e estabeleçam garantias verificáveis.
O que diz o Kremlin
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que as conversas sobre uma possível trégua energética continuavam e que mais informações seriam apresentadas posteriormente. Ao mesmo tempo, declarou que Moscou busca um acordo de paz amplo e de longo prazo, e não apenas uma pausa temporária. O chanceler russo, Sergey Lavrov, criticou a proposta ucraniana e não anunciou a interrupção dos ataques.
As posições mostram que o anúncio feito por Trump ainda não equivale a um cessar-fogo formalmente confirmado pelas duas partes. Sem regras públicas e um sistema de verificação, cada novo ataque aumenta a incerteza sobre a existência e o alcance do compromisso.
Infraestrutura civil no centro da guerra
A rede elétrica e de aquecimento ucraniana voltou a ser alvo de uma campanha intensa nas últimas semanas. Segundo a Reuters, os ataques já provocaram cortes diários de energia em Kyiv e afetaram abastecimento de água, esgoto e o funcionamento do metrô. A Rússia afirma que busca atingir objetivos militares, enquanto a Ucrânia acusa Moscou de usar a falta de energia e calor para pressionar a população durante o inverno.
Kyiv, por sua vez, ampliou ataques de longo alcance contra refinarias, terminais e logística de combustível russos, com o argumento de reduzir as receitas e a capacidade militar de Moscou. Uma trégua energética verificável exigiria que os dois lados interrompessem esses ataques de forma simultânea e transparente.
Próximos sinais a observar
Os pontos decisivos serão uma confirmação pública de Moscou, a divulgação de termos comuns e a redução comprovável dos ataques a usinas, subestações, gasodutos, refinarias e demais instalações. Sem esses elementos, o anúncio permanece uma proposta diplomática contestada, e não uma trégua consolidada.





