A Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu a eleição estadual da Saxônia-Anhalt com 43,8% dos votos, segundo o resultado preliminar divulgado nesta segunda-feira (7). O partido conquistou 39 das 83 cadeiras do parlamento regional, três a menos que a maioria absoluta.
O resultado representa uma mudança histórica no cenário político alemão. A AfD mais que dobrou seu desempenho em relação à eleição de 2021, quando obteve 20,8%, e ultrapassou com ampla margem a União Democrata Cristã (CDU), legenda do chanceler Friedrich Merz.
Vitória expressiva, mas governo ainda indefinido
Embora tenha formado a maior bancada, a AfD não poderá governar sozinha. Para eleger o chefe do governo estadual e aprovar sua agenda, precisará obter apoio de outros parlamentares ou construir algum tipo de entendimento político.
As principais legendas alemãs mantêm a chamada “barreira de proteção” contra alianças com a AfD. A CDU reiterou que não pretende formar uma coalizão com o partido. Essa resistência torna incerta a composição do próximo governo da Saxônia-Anhalt e abre um período de negociações no parlamento.
O candidato da AfD, Ulrich Siegmund, afirmou que o resultado dá ao partido um mandato para governar e defendeu que as demais forças reconheçam a escolha dos eleitores. A legenda tenta agora convencer integrantes de outros partidos a apoiar propostas específicas, mesmo sem uma coalizão formal.
CDU sofre forte derrota
A CDU ficou em segundo lugar, com 17,2% e 15 cadeiras, ante 37,1% no pleito anterior. A perda é um revés para o governo federal de Friedrich Merz e deverá ampliar o debate interno sobre a estratégia dos conservadores diante do crescimento da AfD no leste do país.
A participação eleitoral alcançou 76,5%, índice recorde no estado. O comparecimento elevado reforça o peso político do resultado e mostra que a votação mobilizou eleitores de diferentes grupos.
Repercussão além da Saxônia-Anhalt
A eleição estadual é acompanhada como um teste para a política nacional. A AfD pretende usar a vitória como impulso para outras disputas regionais e para a eleição federal de 2029. Ao mesmo tempo, partidos tradicionais discutem como responder à insatisfação dos eleitores sem normalizar posições classificadas como extremistas pelas autoridades de segurança alemãs.
O desfecho também preocupa parceiros europeus. A AfD defende posições mais duras sobre imigração e mantém uma linha favorável à aproximação com a Rússia, além de criticar aspectos da integração europeia e o apoio alemão à Ucrânia.
Os próximos passos dependerão da instalação do novo parlamento e das negociações entre as bancadas. A vitória nas urnas garantiu à AfD protagonismo político, mas não assegurou o controle do governo estadual.





