As tarifas retaliatórias do Canadá sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos dos Estados Unidos entraram em vigor nesta terça-feira (8), elevando a tensão comercial entre os dois países após o impasse nas negociações bilaterais.
As alíquotas variam de 15% a 50% e alcançam centenas de itens americanos, entre eles aço, alumínio, eletrodomésticos, roupas, cosméticos, produtos agrícolas e equipamentos. A medida responde às tarifas impostas por Washington sobre exportações canadenses e busca pressionar setores e regiões politicamente relevantes nos Estados Unidos.
Escalada entre parceiros históricos
Estados Unidos e Canadá mantêm uma das maiores relações comerciais do mundo e integram, com o México, o acordo USMCA. Apesar de grande parte das mercadorias continuar circulando sem tarifa pelas regras do tratado, as novas barreiras ampliam a incerteza para fabricantes, varejistas e consumidores dos dois lados da fronteira.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país pretende reduzir sua dependência econômica dos Estados Unidos. O governo também sinalizou apoio aos setores atingidos, enquanto empresas avaliam os efeitos sobre custos, cadeias de fornecimento e decisões de investimento.
Produtos e empresas sob pressão
As tarifas canadenses atingem bens de consumo e insumos industriais. Na prática, importadores podem buscar fornecedores alternativos, absorver parte do custo ou repassá-lo aos preços. O alcance sobre aço, eletrônicos, alimentos e máquinas torna o impacto potencialmente amplo, ainda que o comércio protegido pelo USMCA continue representando uma parcela importante das trocas.
A disputa também alcançou a indústria aeronáutica. A ameaça do governo americano de restringir vendas da canadense Bombardier adicionou pressão a uma cadeia que emprega trabalhadores e fornecedores nos dois países.
O que acontece agora
Sem uma nova rodada de negociação anunciada, o risco é de novas retaliações. A duração do conflito será decisiva: medidas prolongadas podem reduzir o comércio, elevar preços e enfraquecer investimentos, enquanto um acordo poderia limitar os danos antes que as tarifas se consolidem nas cadeias produtivas.
Fontes consultadas: Reuters, Associated Press e BBC News. Texto original produzido pela redação do Memória do Gelo.





