Ciência, clima, tecnologia e acontecimentos globais

Transparência editorial

,

Ebola Bundibugyo avança na República Democrática do Congo e supera 5,7 mil casos

OMS registra 5.794 casos e 2.786 mortes na RDC até 26 de agosto; vacinação de profissionais começou enquanto a eficácia contra a variante Bundibugyo ainda é estudada.

Leitura estimada: 4 min

Micrografia eletrônica colorizada de uma partícula filamentosa do vírus Ebola

Atualizado em 28 de agosto de 2026. O surto de doença pelo vírus Ebola da espécie Bundibugyo continua em expansão na República Democrática do Congo (RDC). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país registrava 5.794 casos confirmados e 2.786 mortes até 26 de agosto, com taxa bruta de letalidade de 48,1%. Considerando os casos associados também registrados em Uganda, França e pacientes tratados na Alemanha, o total acumulado chegava a 5.815 casos confirmados e 2.788 mortes.

Onde a transmissão está concentrada

A OMS informa que 60 zonas de saúde em seis províncias congolesas já notificaram casos. Ituri permanece como epicentro, com 4.802 casos confirmados desde o início do surto. Kivu do Norte é a segunda província mais afetada, com 775 casos acumulados e a maior taxa de letalidade observada, estimada em 68%; as razões para esse índice elevado ainda estão sob investigação.

Nas 24 horas anteriores ao boletim de 26 de agosto, 81 novos casos foram confirmados em 19 zonas de saúde. A ampliação da vigilância e da capacidade laboratorial contribuiu para incorporar notificações atrasadas, mas a OMS afirma que o crescimento também reflete transmissão sustentada e expansão geográfica real.

Contatos monitorados e risco regional

Mais de 26 mil pessoas precisavam de acompanhamento por terem sido identificadas como contatos. Na atualização mais recente, 22.091 delas haviam sido acompanhadas nas últimas 24 horas, o equivalente a 82,3% do total previsto.

O risco dentro da RDC é classificado como muito alto. Para países que compartilham fronteiras terrestres com o país, o risco é alto, especialmente devido à circulação de pessoas ligada ao comércio, à mineração e a rotas informais. Para o restante da África e para o nível global, a avaliação da OMS permanece baixa. A organização não recomenda restrições gerais de viagens ou comércio.

Vacinação começou, mas proteção ainda está sendo estudada

Em 27 de agosto, começou a vacinação de profissionais de saúde em algumas áreas, incluindo Kisangani, na província de Tshopo. O estoque internacional liberou 70 mil doses da vacina Ervebo: 50 mil destinadas a trabalhadores da linha de frente e da saúde e 20 mil para um ensaio clínico de fase 3.

A Ervebo é licenciada contra a doença causada pelo vírus Ebola anteriormente conhecido como Zaire ebolavirus. Ainda não se sabe se ela protege seres humanos contra a espécie Bundibugyo. Por isso, a OMS destaca que o uso ocorre acompanhado de pesquisa e consentimento informado, sem tratar a eficácia como comprovada para esta variante.

Resposta enfrenta conflito, deslocamento e falta de estrutura

O surto ocorre em áreas afetadas por violência armada, deslocamentos e insegurança alimentar. Essas condições dificultam o acesso de equipes, o isolamento rápido de pacientes, os testes laboratoriais e o acompanhamento de contatos. Locais superlotados e com acesso limitado a água, saneamento e serviços de saúde ampliam os obstáculos.

As autoridades congolesas, a OMS e parceiros mantêm vigilância epidemiológica, diagnóstico, prevenção de infecções, atendimento clínico, enterros seguros, mobilização comunitária e preparação transfronteiriça. Um ensaio clínico de tratamentos, chamado PARTNERS, também está em andamento em três unidades de Ituri e já havia incluído mais de 250 pacientes confirmados.

O que é o Ebola Bundibugyo

A doença é causada por um ortoebolavírus e pode ter incubação de dois a 21 dias. A pessoa infectada não transmite o vírus antes do aparecimento dos sintomas. Febre, cansaço, dor muscular, dor de cabeça e dor de garganta podem surgir no início e são semelhantes aos de outras doenças; a confirmação depende de exames laboratoriais.

O controle exige identificação rápida, isolamento e cuidado dos pacientes, rastreamento de contatos, práticas funerárias seguras e participação das comunidades. Informações sobre sintomas ou atendimento devem ser buscadas junto às autoridades de saúde e à OMS.

Fontes verificadas

Mais recentes