Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu o Mar de Flores, no leste da Indonésia, na madrugada de 15 de agosto de 2026 no horário local. O tremor gerou tsunami, provocou mortes, deslocou dezenas de milhares de pessoas e iniciou uma longa sequência de réplicas.
O que aconteceu
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou o abalo às 21h58 UTC de 14 de agosto, a cerca de 68 quilômetros ao norte-noroeste de Ende. A agência classificou o evento com magnitude 7,7 e intensidade estimada de até VIII na escala Mercalli Modificada em áreas próximas.
A agência meteorológica da Indonésia, BMKG, localizou o epicentro no mar, 30 quilômetros a nordeste de Nagekeo, na província de Nusa Tenggara Timur, com profundidade de 15 quilômetros. A análise indicou falhamento reverso associado ao sistema tectônico Flores Back Arc Thrust.
Alerta de tsunami foi encerrado, mas ondas foram registradas
Logo após o terremoto, a BMKG emitiu alerta de tsunami para trechos costeiros de Nusa Tenggara Timur, Nusa Tenggara Barat e Sulawesi do Sul. A advertência foi encerrada às 7h30 de 15 de agosto, depois da avaliação dos registros e da redução do risco imediato. A própria BMKG confirmou posteriormente que o terremoto gerou tsunami.
Moradores de zonas costeiras devem continuar seguindo apenas orientações das autoridades locais. Após terremotos fortes, novas réplicas podem causar quedas de estruturas já danificadas, deslizamentos e interrupções em estradas.
Vítimas, deslocados e danos
Em atualização publicada em 19 de agosto, às 16h no horário de Jacarta, a Agência Nacional de Gestão de Desastres da Indonésia (BNPB) informou 71 mortes e 59.647 pessoas deslocadas. Os números representam o balanço oficial disponível naquela data e podem ser revisados conforme a identificação de vítimas e a consolidação de dados municipais.
As equipes também registraram danos em moradias, escolas, unidades de saúde, locais de culto e outras estruturas públicas. O impacto variou entre ilhas e comunidades, e algumas áreas tiveram acesso dificultado por danos na infraestrutura e pela geografia do arquipélago.
Milhares de réplicas
A sequência sísmica permaneceu intensa. Até 21 de agosto, a BMKG havia contabilizado 4.256 réplicas, com a maior chegando à magnitude 6,2. Trinta e uma ultrapassaram magnitude 5, e 118 foram sentidas pela população. A tendência observada era de redução gradual, embora a atividade ainda exigisse cautela.
Uma análise por radar de abertura sintética (InSAR) divulgada pela BMKG identificou deformação da superfície compatível com o mecanismo de falha reversa. Esses dados ajudam a delimitar as áreas mais afetadas e a orientar reconstrução e normas de resistência sísmica.
Como está a resposta das autoridades
- A BNPB, governos locais, forças de segurança e equipes de busca concentraram esforços em resgate, atendimento médico, abrigos e levantamento de danos.
- Entre 15 e 18 de agosto, cerca de 398 toneladas de ajuda foram distribuídas, segundo a BNPB.
- A resposta mobilizou aeronaves e embarcações para alcançar comunidades insulares e transportar alimentos, água, medicamentos e materiais de abrigo.
- Em 24 de agosto, 84 famílias — 237 pessoas — começaram a deixar o abrigo coletivo de Gor Samador e retornar às suas casas, enquanto a recuperação habitacional avançava.
- A BMKG iniciou apoio técnico aos governos de Flores para microzoneamento sísmico e reconstrução mais resistente.
Por que Flores sofre terremotos fortes
A região está situada numa zona tectonicamente complexa, onde placas e microplacas interagem. Ao norte da ilha de Flores, o Flores Back Arc Thrust acomoda parte dessa deformação por compressão. Em um falhamento reverso, um bloco da crosta é empurrado sobre outro; quando a ruptura ocorre sob o mar e desloca o fundo oceânico, pode produzir tsunami.
Fontes e atualização
Esta matéria foi revisada com dados oficiais disponíveis até 28 de agosto de 2026. As estatísticas de vítimas são datadas para evitar que números preliminares sejam apresentados como definitivos.





