A NASA anunciou a equipe vencedora da Fase 2 do LunaRecycle Challenge, uma competição voltada para o desenvolvimento de soluções inovadoras de gestão de resíduos em missões espaciais de longa duração. O primeiro lugar foi concedido à equipe CERBERUZ (Composites for Extraterrestrial Recycling By Engineering the Reuse and Upcycling of Zotek), composta por estudantes de graduação, mestrado e doutorado do Massachusetts Institute of Technology (MIT).
## Inovação na gestão de resíduos espaciais
O desafio, que integra o programa Centennial Challenges da agência espacial americana, busca reduzir o impacto do lixo gerado em missões à Lua ou ao espaço profundo. Materiais comuns, como plásticos, espumas, tecidos e metais, que tradicionalmente seriam descartados, tornam-se um problema logístico e de armazenamento em ambientes confinados. A solução proposta pelo MIT utiliza um sistema que tritura resíduos mistos, incluindo a espuma Zotek, transformando-os em um pó fino. Este material é então reaproveitado como insumo para moldagem por injeção ou como filamento para impressão 3D, permitindo a criação de novas peças a partir de itens anteriormente considerados descartáveis.
## Resultados da Fase 2
A equipe do MIT foi premiada em duas categorias distintas: o desenvolvimento de protótipos físicos e a criação de modelos digitais, conhecidos como “gêmeos digitais”, que simulam o funcionamento dos sistemas de reciclagem. Ao todo, o grupo recebeu US$ 775.000 em prêmios. A fase final da competição ocorreu entre os dias 24 e 28 de agosto de 2026, na Lee J. Styslinger Jr. College of Engineering da Universidade do Alabama, onde 14 equipes finalistas demonstraram suas tecnologias.
Jennifer Edmunson, gerente do programa Centennial Challenges no Marshall Space Flight Center da NASA, destacou a rapidez do processo. “É incrível ver essas tecnologias evoluírem de conceitos para protótipos e demonstrações de gêmeos digitais em apenas dois anos”, afirmou. O LunaRecycle é uma competição de US$ 3 milhões, realizada em parceria com a Universidade do Alabama.
## Outros destaques da competição
Além do MIT, outras nove equipes foram reconhecidas por suas contribuições. A Terasynth, de Orlando, conquistou o segundo lugar geral e o prêmio de escolha popular com o sistema Lunar Re-Forge. A Penn State University, com o sistema RECLAIM, foi premiada nas categorias de inovação tanto no rastreamento de protótipos quanto no de gêmeos digitais. Outras menções honrosas incluíram a Cislune (maior eficiência de massa), a Team Lovegrove (maior variedade de tipos de lixo reciclados), a Moon Made (segundo lugar em gêmeos digitais) e a Waste Parrot Technologies (melhor visualização).
## Contexto e próximos passos
O LunaRecycle Challenge é parte de um esforço contínuo da NASA para engajar o público e a comunidade científica em problemas complexos. A Fase 1, concluída em 2025, registrou um recorde histórico para a agência, com mais de 1.200 inscrições globais. Embora os resultados da Fase 2 foquem em protótipos para o ambiente lunar, a NASA ressalta que as tecnologias desenvolvidas possuem potencial de aplicação direta na Terra, promovendo a economia circular e a sustentabilidade.
O programa de desafios da NASA, que já dura mais de duas décadas, tem um histórico de impulsionar avanços em áreas como robótica, manufatura aditiva e biologia, essenciais para a exploração humana do Sistema Solar.





