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Empreendedorismo verde: como jovens estão transformando a restauração de terras em negócios lucrativos

De Bangladesh ao Senegal, uma nova geração de empreendedores apoiada pela ONU utiliza tecnologia e modelos de negócio inovadores para provar que a recuperação de solos degradados pode gerar renda e desenvolvimento econômico.

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Féro Daniel Halman de Féro planta uma árvore jovem no Senegal.

A restauração de terras degradadas, frequentemente vista como um desafio ambiental que depende exclusivamente de doações ou projetos públicos, está ganhando uma nova faceta: a econômica. Em diversas partes do mundo, jovens empreendedores estão provando que é possível aliar a recuperação de ecossistemas à geração de empregos e renda, transformando a sustentabilidade em um modelo de negócio viável.

## O desafio da viabilidade econômica

Um dos maiores obstáculos para a restauração de terras é o tempo. Enquanto o plantio de árvores e a recuperação do solo podem levar anos para apresentar resultados, empresas precisam de fluxo de caixa imediato. Para contornar essa barreira, empreendedores como Daniel Halman, da empresa senegalesa Féro, adotaram modelos híbridos. No Senegal, a Féro combina estufas de alta produtividade — que permitem a venda rápida de hortaliças como cebolas — com sistemas de agrofloresta. A ideia é simples: ao aumentar a produtividade em uma área menor, o agricultor libera espaço para a restauração, tornando o processo economicamente sustentável.

## Tecnologia a serviço do campo

A tecnologia também desempenha um papel central nessa transição. Na Nigéria, Ritkatmun Bwemana, cofundadora da Green Eden Farms, desenvolveu o ‘ScareGrow’, um sistema de sensores movidos a energia solar. O dispositivo coleta dados em tempo real para ajudar agricultores a otimizar o uso de água e insumos, evitando o desperdício e protegendo a produtividade do solo. Segundo Bwemana, a chave para a restauração em larga escala é oferecer um benefício tangível ao produtor: se a solução não fizer sentido financeiro, ela não será adotada.

Em Bangladesh, a iniciativa Aunkur, liderada por Mashrur H. Shurid, utiliza inteligência artificial para processar dados sobre solo, clima e condições das lavouras. O sistema, que já apoia mais de 33 mil fazendas, fornece orientações precisas sobre o que e quando plantar, além de conectar pequenos produtores a compradores e instituições financeiras, reduzindo a incerteza em um cenário de mudanças climáticas.

## Resíduos como recurso

No Equador, Carlos Alfredo González Vargas encontrou uma solução para dois problemas simultâneos: a degradação do solo e o descarte inadequado de resíduos agrícolas. Sua empresa, a Pacchar, transforma restos de florestas e colheitas em biochar, um tipo de carvão que, ao ser devolvido ao solo, retém nutrientes e água, reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos. O projeto já atua em mais de 500 hectares e conta com parcerias acadêmicas para validar cientificamente os resultados, superando o ceticismo inicial dos agricultores locais.

## Apoio global e o futuro da ‘economia da restauração’

Esses empreendedores fazem parte do programa ‘Youth Ecopreneur Programme’ (YECO), uma iniciativa do Centro de Comércio Internacional e da Iniciativa Global de Terras do G20 da UNCCD. O programa oferece mentoria, suporte em modelos de negócio e preparação para atrair investimentos. A ambição é construir uma ‘economia da restauração’, onde a recuperação da terra seja um motor de desenvolvimento autossustentável.

Embora os resultados preliminares indiquem melhorias no rendimento das colheitas e economia de recursos, os especialistas reforçam que a escalabilidade desses modelos depende da capacidade de provar seu valor econômico a longo prazo para investidores e bancos. A transição de projetos dependentes de financiamento externo para negócios que geram valor próprio é, segundo os organizadores, o caminho para garantir que a restauração da terra seja uma prática contínua e duradoura.

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