Cientistas e tripulantes do navio de pesquisa RRS Sir David Attenborough registraram um grande desprendimento na geleira Sorgenfri, no leste da Groenlândia. Em poucos instantes, uma seção com aproximadamente um quilômetro de largura e espessura média de cem metros se separou da frente glacial e caiu no fiorde.
A estimativa inicial indica que cerca de 18 milhões de toneladas métricas de gelo foram deslocadas. O navio estava a mais de um quilômetro da frente da geleira e sua tripulação adotou a posição de segurança prevista para esse tipo de evento.
Um laboratório natural em rápida transformação
A equipe está na região como parte da expedição científica GIANT, dedicada a entender como as geleiras da Groenlândia interagem com um oceano em aquecimento. Derretimento submarino e desprendimento de blocos são processos importantes para o balanço de massa das geleiras, mas ainda não aparecem com precisão suficiente em muitos modelos climáticos.
Eventos de desprendimento fazem parte do comportamento natural de geleiras que terminam no oceano, especialmente durante o verão. O registro de um episódio isolado, portanto, não deve ser interpretado sozinho como prova de uma tendência climática. O contexto mais amplo, porém, mostra que o manto de gelo da Groenlândia vem perdendo massa e contribuindo para a elevação do nível global do mar.
Por que medir perto da parede de gelo
Grande parte do derretimento ocorre abaixo da linha d’água. Correntes relativamente quentes entram nos fiordes, alcançam a base da geleira e alteram sua estabilidade. Para representar esse processo, pesquisadores precisam medir temperatura, salinidade, circulação e a geometria da frente glacial em locais onde embarcações tripuladas não podem permanecer com segurança.
A expedição utiliza uma frota coordenada de veículos autônomos. Pequenos submarinos mergulham centenas de metros e coletam dados perto da interface entre gelo e oceano. O conjunto inclui Gavia, EcoSubs, DriX, Meltstake e o Autosub Long Range, conhecido como Boaty McBoatface.
Do espetáculo aos dados científicos
Imagens do desprendimento ajudam a documentar a escala e a velocidade do evento. O objetivo principal, entretanto, é combinar esse registro com medições contínuas. Sensores submarinos permitem observar como a água circula após a queda do gelo, quanto calor alcança a geleira e de que modo a frente reage ao longo do tempo.
Dados mais detalhados poderão melhorar projeções sobre a Groenlândia e o nível do mar. Também ajudarão cientistas a separar oscilações sazonais, eventos naturais e mudanças persistentes associadas ao aquecimento do oceano.
Fonte
British Antarctic Survey — Greenland science expedition witnesses huge glacier calving.
Imagem destacada: Alice Fremand/British Antarctic Survey.





