Uma nova iniciativa internacional reunirá 27 instituições de pesquisa para ampliar e integrar as observações da Antártida e do Oceano Austral. O projeto SYNCHRONY recebeu cerca de 8,5 milhões de euros da União Europeia e terá quatro anos para organizar redes, padronizar medições e produzir conjuntos de dados sobre o clima e os ecossistemas da região.
Uma região decisiva para o planeta
O Oceano Austral conecta as principais bacias oceânicas e participa da redistribuição de calor, carbono, oxigênio e nutrientes. As águas ao redor da Antártida também influenciam a formação de correntes profundas que ajudam a sustentar a circulação global.
Ao mesmo tempo, a cobertura de gelo marinho apresenta mudanças importantes, partes da camada de gelo da Antártida Ocidental perdem massa e cientistas investigam sinais de desaceleração na formação de águas profundas. Esses processos podem afetar o clima, os ecossistemas marinhos e o nível do mar muito além das regiões polares.
Dados existem, mas ainda estão dispersos
Navios, satélites, boias, estações, planadores submarinos e sensores autônomos já produzem grandes volumes de informação. Um dos desafios é conectar séries coletadas por países, instituições e instrumentos diferentes. Lacunas espaciais e temporais também dificultam a avaliação de tendências e a construção de previsões confiáveis.
O SYNCHRONY pretende coordenar essas fontes, estabelecer padrões de longo prazo e criar novos produtos científicos que retratem a saúde do Oceano Austral. O trabalho será liderado pelo Alfred Wegener Institute e terá participação do British Antarctic Survey, do Scientific Committee on Antarctic Research, do National Oceanography Centre e de universidades europeias.
Preparação para uma grande década polar
A infraestrutura será conectada à iniciativa Antarctica InSync, vinculada à Década do Oceano das Nações Unidas. Entre 2027 e 2029, essa cooperação deverá formar uma das maiores redes de observação já implantadas em um ambiente polar.
O projeto também prepara dados e métodos para o quinto Ano Polar Internacional, previsto para 2032 e 2033. Cruzeiros do navio de pesquisa Polarstern, instrumentos autônomos e observatórios no mar de Weddell integrarão a estratégia.
Clima, nível do mar e biodiversidade
Monitorar a região de maneira contínua ajudará a medir mudanças na extensão e espessura do gelo, no armazenamento de calor e carbono pelo oceano e na distribuição de organismos marinhos. A combinação dessas informações pode reduzir incertezas dos modelos e tornar as projeções mais úteis para governos e comunidades costeiras.
A escala do desafio explica a cooperação: nenhum país consegue observar sozinho uma área tão vasta, remota e sujeita a condições extremas. O valor do SYNCHRONY estará tanto nos novos instrumentos quanto na capacidade de fazer medições diferentes conversarem entre si.
Fonte
British Antarctic Survey — UK scientists join international effort to study changing Southern Ocean.
Imagem destacada: Stefan Hendricks/British Antarctic Survey.





