Vinte e cinco anos após os atentados de 11 de setembro de 2001, uma peça fundamental no quebra-cabeça das investigações sobre os sequestradores da Al-Qaeda decidiu falar publicamente pela primeira vez. Holly Ratchford, que na época gerenciava o complexo residencial Parkwood Apartments, em San Diego, compartilhou seu relato sobre o convívio com Omar al-Bayoumi e dois homens que viriam a se tornar responsáveis pelo ataque ao Pentágono.
O convívio em San Diego
Em 1999, Ratchford gerenciava o condomínio onde Bayoumi, um cidadão saudita, residia com sua família. Segundo o relato de Ratchford, Bayoumi era uma presença constante em eventos sociais do complexo, descrevendo-o como uma pessoa “sorridente” e “muito amigável”. Em fevereiro de 2000, Bayoumi apresentou a Ratchford dois homens, Nawaf al-Hazmi e Khalid al-Mihdhar, solicitando que ela os ajudasse a alugar um apartamento no local.
Embora os dois homens não atendessem aos critérios de renda exigidos pelo condomínio, Bayoumi interveio, oferecendo-se para ser o fiador do contrato de locação. Documentos bancários e registros de aluguel confirmam que Bayoumi auxiliou a dupla na abertura de contas bancárias e na formalização do contrato. Ratchford relata que, na época, não suspeitou das intenções dos inquilinos, com quem chegou a compartilhar momentos de socialização.
Suspeitas e investigações
Após os ataques de 11 de setembro, a conexão entre Bayoumi e os sequestradores tornou-se alvo de intensas investigações. Richard Lambert, ex-agente do FBI que liderou a investigação em San Diego, afirmou que havia um consenso na comunidade muçulmana local de que Bayoumi atuava como um agente do serviço de inteligência saudita. Documentos revelam que Bayoumi recebia cerca de 90 mil dólares anuais na época, apesar de suas atividades acadêmicas terem sido interrompidas em 1998.
O papel de Bayoumi como facilitador é o ponto central de uma ação judicial de 1 trilhão de dólares movida por famílias de vítimas e sobreviventes contra o Reino da Arábia Saudita. Em agosto de 2025, um juiz federal em Nova York determinou que as evidências permitem uma “inferência razoável” de que Bayoumi e um diplomata saudita coordenavam ações com o governo saudita para fornecer assistência aos sequestradores. O governo da Arábia Saudita e Bayoumi negam sistematicamente todas as alegações.
Fatos e controvérsias
Entre os pontos de disputa judicial está um vídeo gravado por Bayoumi em 1999, no qual ele filma o Capitólio dos Estados Unidos em Washington DC, mencionando um “plano”. Enquanto advogados das famílias das vítimas alegam que o material constitui vigilância para um possível alvo, a defesa saudita sustenta que se trata apenas de um registro turístico. O juiz do caso, em sua decisão de 2025, concluiu que o vídeo apenas confirma que Bayoumi visitou e filmou a cidade.
Após os ataques, Bayoumi mudou-se para Birmingham, no Reino Unido, onde foi detido pela polícia antiterrorismo em setembro de 2001. Inicialmente, ele negou conhecer os sequestradores, uma versão que agora é contestada pelo depoimento de Ratchford, que forneceu uma declaração selada ao tribunal de Nova York e participou de produções documentais da BBC sobre o caso.





