Reino Unido e Noruega conduziram uma operação militar de mais de um mês para acompanhar e afastar três submarinos russos que navegavam próximos a cabos submarinos estratégicos no Atlântico Norte. A ação, revelada nesta quinta-feira (10), contou com apoio dos Estados Unidos e ocorreu em águas ao norte da Europa.
Segundo autoridades ocidentais ouvidas por veículos internacionais, as embarcações pertenciam a uma unidade russa especializada em operações de profundidade. Elas foram monitoradas nas proximidades do arquipélago norueguês de Svalbard, região por onde passam ligações de fibra óptica essenciais para comunicações e transmissão de dados de satélites.
Infraestrutura não sofreu danos
Não houve rompimento dos cabos nem dano confirmado à infraestrutura. O objetivo das forças aliadas foi impedir atividade considerada hostil e demonstrar que os movimentos russos estavam sendo acompanhados. A formulação é importante porque as informações disponíveis não apontam para uma sabotagem efetivamente executada.
Os dois cabos que ligam Svalbard ao continente norueguês percorrem cerca de 1.400 quilômetros e transportam dados de estações de satélite instaladas no arquipélago. A localização próxima ao Ártico dá à rede relevância científica, comercial e de segurança.
Cabos viraram prioridade de segurança
A proteção de infraestrutura submarina ganhou prioridade na Europa depois de incidentes envolvendo gasodutos e cabos no Mar Báltico. Grande parte do tráfego internacional de internet e comunicações depende dessas ligações, que atravessam longas distâncias no fundo do mar e podem ser difíceis de proteger continuamente.
A Otan ampliou patrulhas, vigilância aérea e compartilhamento de inteligência em áreas consideradas vulneráveis. Entre as iniciativas recentes estão operações voltadas ao Báltico e ao extremo norte europeu, com emprego de navios, aeronaves e sensores marítimos.
Moscou rejeita acusações
O governo russo nega planejar ataques contra países da aliança militar e rejeita acusações de sabotagem. Autoridades ocidentais, por outro lado, afirmam que atividades de mapeamento e treinamento perto de cabos precisam ser tratadas como risco potencial, mesmo quando não há dano.
O episódio eleva a atenção sobre o Ártico, onde interesses militares, rotas marítimas, recursos naturais e sistemas de comunicação se cruzam. Para Londres e Oslo, a operação teve caráter de dissuasão: acompanhar as embarcações e tornar pública a capacidade de resposta, sem provocar confronto direto.





