Agosto de 2026 igualou o recorde de mês mais quente já medido no planeta, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia. A temperatura média global do ar na superfície chegou a 16,96 °C, ficando 1,65 °C acima da média estimada para o período pré-industrial.
O valor ficou tecnicamente empatado com julho de 2023. A diferença entre as medições está dentro da margem de incerteza dos registros, por isso os cientistas tratam os dois meses como o mesmo máximo histórico.
Calor voltou a superar 1,5 °C em um mês
Foi a primeira vez desde novembro de 2025 que a média mensal global voltou a ultrapassar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Esse resultado não significa, isoladamente, que a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris tenha sido formalmente rompida: o compromisso internacional considera uma média sustentada por décadas, e não um único mês.
A marca, no entanto, reforça a proximidade do planeta com esse limite. A atual estimativa de aquecimento de longo prazo está em torno de 1,4 °C, enquanto emissões da queima de carvão, petróleo e gás continuam sendo a principal causa da elevação das temperaturas.
Oceanos também registraram calor excepcional
O calor não ficou restrito aos continentes. A temperatura da superfície dos oceanos fora das regiões polares também alcançou um dos maiores níveis já observados para qualquer mês. No Pacífico tropical, o desenvolvimento do El Niño contribuiu para ampliar o aquecimento e pode elevar ainda mais as temperaturas nos próximos meses.
O relatório chega após um agosto marcado por incêndios florestais, secas, enchentes e deslizamentos em diferentes regiões. A Europa Ocidental encerrou o verão mais quente de sua série histórica, com baixos níveis de rios, perda de umidade do solo e pressão adicional sobre a agricultura.
Impactos já atingem serviços e economias
Especialistas do Copernicus destacaram que o aquecimento deixou de ser uma projeção distante e já interfere na rotina de cidades e setores produtivos. Ondas de calor pressionam hospitais, danificam estradas e ferrovias, reduzem safras e elevam a demanda por energia.
Os registros do Copernicus começam em 1940 e são comparados com outras séries globais que remontam a 1850. A convergência desses conjuntos de dados permite avaliar a dimensão do aquecimento atual e acompanhar a evolução dos extremos climáticos.
Para os cientistas, a sequência de recordes aumenta a urgência de reduzir rapidamente as emissões e adaptar infraestrutura, sistemas de saúde e produção de alimentos a um clima mais quente.





