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Ondas do oceano aceleram o derretimento do gelo marinho antártico, indica estudo

Pesquisa liderada por cientistas do Programa Antártico Australiano identifica como ondas, inundação superficial e algas podem acelerar o degelo sazonal.

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Gelo marinho na costa Walgreen, na Antártida Ocidental

Uma pesquisa internacional liderada por cientistas do Programa Antártico Australiano identificou processos que ajudam a explicar por que o gelo marinho ao redor da Antártida recua tão rapidamente durante o verão. Além de quebrar as placas e favorecer o derretimento pelas laterais e pela base, as ondas do Oceano Austral também podem retirar a neve da superfície, inundar o gelo com água salgada e transformá-lo em uma mistura fragmentada.

O que muda na superfície do gelo

A neve funciona como uma camada clara e isolante. Quando ela é removida pelas ondas, a superfície passa a refletir menos radiação solar e absorve mais calor. A água escura ao redor das placas também retém grande parte da energia recebida, intensificando o aquecimento local.

Gelo marinho na costa Walgreen, na Antártida Ocidental, observado por satélite
Gelo marinho e plataformas de gelo na costa Walgreen, Antártida Ocidental. Imagem de satélite da NASA. — NASA Earth Observatory / Jeff Schmaltz — MODIS Rapid Response Team, NASA GSFC · Licença

Os pesquisadores descrevem três mecanismos interligados: inundação pelas ondas, pulverização das placas e crescimento de algas no gelo. Essas algas escurecem partes da superfície, reduzem ainda mais a reflexão da luz e podem ampliar o derretimento.

Por que a descoberta importa

O ciclo anual do gelo marinho antártico é uma das maiores transformações sazonais do planeta. Ele influencia a temperatura global, a circulação oceânica e habitats essenciais do Oceano Austral. Segundo os cálculos apresentados pelo programa australiano, os processos associados às ondas podem acrescentar vários centímetros de derretimento por dia no verão.

Esse mecanismo também pode ajudar a explicar diferenças entre o recuo observado por satélites e o comportamento reproduzido por modelos climáticos. Incorporar melhor a interação entre ondas, neve, gelo e organismos pode aumentar a precisão das projeções futuras.

Próximas etapas da pesquisa

Os cientistas defendem novas observações na zona marginal do gelo, área diretamente exposta às ondas do oceano aberto. Sistemas autônomos de câmeras e medições realizadas por navios quebra-gelo deverão ajudar a quantificar o fenômeno e sua relação com os ecossistemas polares.

Fonte consultada: Australian Antarctic Program, notícia publicada em 9 de junho de 2026. Texto produzido de forma original pelo Memória do Gelo com base nas informações científicas da fonte.

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