Ciência, clima, tecnologia e acontecimentos globais

Transparência editorial

,

Petréis-cinzentos voltam a ocupar a Ilha Macquarie após controle de espécies invasoras

Monitoramento registra a recuperação de uma ave ameaçada em uma ilha subantártica após a remoção de gatos, ratos, coelhos e camundongos.

Leitura estimada: 2 min

Petrel-cinzento voando sobre o oceano

O retorno dos petréis-cinzentos à Ilha Macquarie mostra como a remoção de espécies invasoras pode transformar um ecossistema subantártico. A ave, que havia desaparecido da ilha, voltou a ser registrada em 1999 e continua ampliando sua presença depois de programas de controle e erradicação de predadores introduzidos.

Uma ave adaptada ao inverno

Diferentemente de muitas aves do Oceano Austral, o petrel-cinzento se reproduz durante o inverno. Ele enfrenta neve, chuva congelada e ventos intensos enquanto procura alimento e cuida do filhote. Cada casal põe apenas um ovo, geralmente entre março e abril, e o filhote permanece na toca por mais de cem dias.

Petrel-cinzento voando sobre o oceano
Petrel-cinzento (Procellaria cinerea) em voo sobre o oceano próximo à Ilha Antípodas. — Christopher Stephens / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0 · Licença

A espécie também transporta nutrientes do ambiente marinho para a terra, contribuindo para os ecossistemas costeiros e terrestres da ilha.

O impacto das espécies invasoras

Gatos ferais estiveram ligados ao desaparecimento dos petréis na região. Após seu controle e posterior erradicação, a recolonização começou a ser observada. A retirada de ratos reduziu a predação de ovos e filhotes, enquanto a eliminação de coelhos diminuiu a competição por tocas e permitiu a recuperação da vegetação usada como habitat de reprodução.

Equipes de campo agora percorrem áreas de vegetação densa e utilizam equipamentos para inspecionar as tocas. O trabalho registra adultos, ovos e filhotes e deverá gerar uma nova estimativa da população em toda a ilha.

A recuperação ainda enfrenta riscos

Apesar do avanço local, a espécie continua exposta à captura acidental pela pesca com espinhel, às alterações climáticas no Oceano Austral e à poluição marinha. Por isso, o monitoramento deverá continuar por vários anos e apoiar estratégias internacionais de conservação de albatrozes e petréis.

Fonte consultada: Australian Antarctic Program, notícia publicada em 30 de julho de 2026. Texto original produzido pelo Memória do Gelo.

Mais recentes