O retorno dos petréis-cinzentos à Ilha Macquarie mostra como a remoção de espécies invasoras pode transformar um ecossistema subantártico. A ave, que havia desaparecido da ilha, voltou a ser registrada em 1999 e continua ampliando sua presença depois de programas de controle e erradicação de predadores introduzidos.
Uma ave adaptada ao inverno
Diferentemente de muitas aves do Oceano Austral, o petrel-cinzento se reproduz durante o inverno. Ele enfrenta neve, chuva congelada e ventos intensos enquanto procura alimento e cuida do filhote. Cada casal põe apenas um ovo, geralmente entre março e abril, e o filhote permanece na toca por mais de cem dias.

A espécie também transporta nutrientes do ambiente marinho para a terra, contribuindo para os ecossistemas costeiros e terrestres da ilha.
O impacto das espécies invasoras
Gatos ferais estiveram ligados ao desaparecimento dos petréis na região. Após seu controle e posterior erradicação, a recolonização começou a ser observada. A retirada de ratos reduziu a predação de ovos e filhotes, enquanto a eliminação de coelhos diminuiu a competição por tocas e permitiu a recuperação da vegetação usada como habitat de reprodução.
Equipes de campo agora percorrem áreas de vegetação densa e utilizam equipamentos para inspecionar as tocas. O trabalho registra adultos, ovos e filhotes e deverá gerar uma nova estimativa da população em toda a ilha.
A recuperação ainda enfrenta riscos
Apesar do avanço local, a espécie continua exposta à captura acidental pela pesca com espinhel, às alterações climáticas no Oceano Austral e à poluição marinha. Por isso, o monitoramento deverá continuar por vários anos e apoiar estratégias internacionais de conservação de albatrozes e petréis.
Fonte consultada: Australian Antarctic Program, notícia publicada em 30 de julho de 2026. Texto original produzido pelo Memória do Gelo.





