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Geleira Petermann perde bloco de gelo de 76 km² na Groenlândia

Sentinel-1 registrou o maior desprendimento da geleira desde 2012; dois outros grandes blocos permanecem sob observação.

Leitura estimada: 2 min

Imagem de satélite compara o iceberg desprendido da geleira Petermann ao tamanho de Manhattan

Uma seção de 76 quilômetros quadrados se desprendeu da língua flutuante da geleira Petermann, no noroeste da Groenlândia, em 4 de agosto de 2026. O evento foi registrado pelos satélites Sentinel-1 e representa a maior perda de gelo da geleira desde 2012, segundo a Agência Espacial Europeia.

Um bloco comparável ao tamanho de Manhattan

O novo iceberg tabular tem área aproximada à da ilha de Manhattan e pode alcançar 150 metros de espessura. Imagens de radar obtidas em 3 de agosto já mostravam deterioração acentuada na linha central da língua de gelo. No dia seguinte, o bloco havia se separado do lado leste.

Icebergs tabulares são grandes placas com topo relativamente plano e paredes íngremes. Eles são frequentes ao redor da Antártida, mas grandes “ilhas de gelo” são menos comuns no Ártico.

Como os satélites acompanharam a ruptura

O Sentinel-1 utiliza radar, tecnologia capaz de observar a superfície durante o dia, à noite e através das nuvens. Essa capacidade é especialmente importante em regiões polares remotas, onde o tempo e a iluminação dificultam observações ópticas contínuas.

Pesquisadores monitoravam Petermann desde 2019. Dados interferométricos obtidos em abril revelaram deformações e fraturas meses antes do desprendimento. Durante a fase de comissionamento do Sentinel-1D, observações repetidas em intervalo de um dia permitiram acompanhar a propagação das rachaduras quase em tempo real.

Outros blocos podem se soltar

Duas grandes áreas, estimadas em 97 e 87 quilômetros quadrados, permanecem delimitadas por fraturas que continuam avançando. Isso não fornece uma data exata para novos desprendimentos, mas justifica o acompanhamento sistemático.

A separação de uma plataforma flutuante não eleva diretamente o nível do mar da mesma forma que a entrada de gelo continental no oceano. No entanto, a perda dessas extensões pode alterar a dinâmica do fluxo da geleira e reduzir o efeito de contenção exercido sobre o gelo em terra.

Risco para navegação

O Canadá acompanha a trajetória do iceberg por causa de possíveis impactos em rotas marítimas e operações offshore. Grandes massas podem permanecer no oceano durante anos e se fragmentar em blocos menores, mais difíceis de detectar.

O episódio oferece aos cientistas uma oportunidade rara de estudar como grandes ilhas de gelo do Ártico derivam, se quebram e interagem com o oceano.

Fonte e imagem: Agência Espacial Europeia, com dados modificados do Copernicus Sentinel-1.

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