Uma operação coordenada contra o crime organizado mobilizou forças de segurança em 19 estados brasileiros nesta quarta-feira, 16 de setembro. A Operação Força Integrada IV reuniu 20 bases das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) e atingiu investigações relacionadas a tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro, homicídios, extorsão e outros crimes.
O balanço atualizado pela Polícia Federal registra o cumprimento de 173 mandados de busca e apreensão e 93 mandados de prisão. Outras 44 pessoas foram presas em flagrante durante as diligências. As decisões judiciais também determinaram bloqueios, sequestros e restrições sobre mais de R$ 508,3 milhões em bens e ativos financeiros ligados aos grupos investigados.
Tocantins concentra maior bloqueio patrimonial
A principal medida financeira ocorreu no Tocantins. A Operação Rota Araguaia II mira um suposto núcleo logístico e financeiro associado ao tráfico transnacional de drogas e à lavagem de dinheiro. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 412,5 milhões em bens e ativos.
Em Mato Grosso do Sul, outra frente determinou restrições de R$ 75 milhões. A investigação é voltada a um grupo suspeito de lavagem de capitais e alcançou alvos também em Mato Grosso e Pernambuco. Segundo a Polícia Federal, apurações anteriores relacionadas ao caso resultaram na apreensão de mais de 250 quilos de cocaína e 60 quilos de haxixe.
Bahia teve uma das maiores frentes
Na Bahia, a Operação Eirene II concentrou 57 mandados de busca e apreensão e 45 ordens de prisão. Os investigados são suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas, homicídios, extorsão, lavagem de dinheiro e posse ilegal de armas. As medidas patrimoniais superam R$ 12 milhões.
Também houve ações no Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Sergipe, além das frentes no Tocantins, na Bahia e em Mato Grosso do Sul. Algumas investigações alcançaram alvos em mais de um estado.
Apreensões e estrutura integrada
O balanço nacional informa o sequestro de 29 imóveis e a apreensão de 18 veículos avaliados em aproximadamente R$ 1,6 milhão. Os agentes também recolheram sete armas de fogo, 49 munições, cerca de 11 quilos de cocaína e derivados, 90 quilos de maconha e derivados e R$ 171,8 mil em dinheiro.
As FICCOs seguem um modelo de força-tarefa. Elas reúnem Polícia Federal, polícias civis, militares e penais, Polícia Rodoviária Federal, guardas municipais e órgãos estaduais e federais de segurança. A coordenação é da Polícia Federal, sem relação hierárquica entre as instituições participantes.
O país conta atualmente com 41 unidades das forças integradas. A proposta é compartilhar informações de inteligência e executar ações simultâneas para atingir diferentes braços operacionais e financeiros de organizações criminosas.
Os alvos são tratados como investigados e têm direito à defesa. Mandados e bloqueios patrimoniais são medidas judiciais e não representam condenação definitiva.





