A oferta mundial de petróleo deverá cair em média 5,7 milhões de barris por dia em 2026, uma redução de aproximadamente 6% em relação ao ano anterior, segundo a edição de setembro do relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE). A nova estimativa, divulgada nesta sexta-feira (11), agrava a projeção anterior e indica que a normalização dos fluxos do Golfo pode ficar para 2027.
A revisão ocorre em meio à continuidade dos conflitos no Oriente Médio, às restrições nas rotas marítimas e aos ataques contra instalações e embarcações ligadas ao setor energético. O efeito combinado reduziu a quantidade de petróleo que chega efetivamente ao mercado, mesmo com produtores buscando rotas alternativas.
Oferta cai mais rapidamente que a demanda
A AIE também reduziu sua previsão para o consumo mundial. A demanda deverá recuar 2,5 milhões de barris por dia neste ano, ante a estimativa anterior de queda de 1,6 milhão. Combustíveis mais caros e a desaceleração de atividades intensivas em energia ajudam a explicar a revisão.
Apesar da menor procura, a oferta está diminuindo em ritmo ainda mais forte. Essa diferença obriga o mercado a recorrer aos estoques para equilibrar consumo e disponibilidade. Em agosto, os inventários globais recuaram a uma taxa estimada de 3,1 milhões de barris por dia e chegaram a cerca de 7,8 bilhões de barris, nível semelhante ao observado em 2023.
A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) chegou a uma leitura convergente sobre a pressão física no mercado. O órgão estimou que interrupções de produção no Oriente Médio alcançaram, em média, 6,7 milhões de barris por dia em agosto, acima dos 5 milhões registrados em julho.
Arábia Saudita registra forte redução
De acordo com a AIE, o fornecimento de petróleo bruto da Arábia Saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto, para 6 milhões. Foi o menor patamar em mais de três décadas. A produção conjunta da Opep+ também diminuiu, afetada por danos à infraestrutura e por dificuldades de transporte no Golfo e no Mar Vermelho.
Os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb continuam centrais para o abastecimento internacional. Restrições nessas passagens obrigam petroleiros a percorrer trajetos mais longos ou a usar transferências entre navios, elevando custos e limitando a velocidade de recuperação das exportações.
Impacto já aparece nos combustíveis
O petróleo Brent se aproximou de US$ 110 por barril durante a semana. Produtos refinados subiram ainda mais, com o diesel atingindo valores recordes em alguns mercados. Refinarias danificadas e estoques menores ampliam a pressão porque não basta haver óleo bruto disponível: ele precisa ser processado e transportado até os consumidores.
O cenário também afeta inflação, transporte e indústria. Fretes mais caros podem alcançar cadeias de alimentos e bens manufaturados, enquanto empresas dependentes de diesel, querosene de aviação e matérias-primas petroquímicas enfrentam custos maiores. A intensidade desse impacto dependerá da duração das interrupções e da capacidade de ampliar rotas alternativas.
Recuperação é projetada para 2027
A AIE espera que o consumo volte a crescer em 2027, com avanço estimado de 2,6 milhões de barris por dia. A Opep também projeta expansão no próximo ano, embora as duas organizações apresentem avaliações diferentes para a demanda de 2026.
As projeções não significam garantia de preço ou abastecimento. Elas dependem da evolução dos conflitos, da segurança das rotas marítimas, do ritmo de reparo das instalações e da recomposição dos estoques. A EIA norte-americana avalia que boa parte dos fluxos interrompidos pode levar até o segundo semestre de 2027 para retornar aos níveis anteriores à crise.





