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Coreia do Norte amplia complexo nuclear com nova instalação de urânio em Yongbyon

AIEA identifica edifício com capacidade para até 28 conjuntos de centrífugas e alerta para expansão da produção de material nuclear.

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Sede da Agência Internacional de Energia Atômica no Centro Internacional de Viena

A Coreia do Norte construiu uma nova instalação de enriquecimento de urânio no complexo nuclear de Yongbyon, segundo avaliação apresentada nesta quarta-feira (9) pela Agência Internacional de Energia Atômica. A estrutura pode acomodar até 28 conjuntos de centrífugas, ampliando a capacidade potencial de produção de material nuclear do país.

A constatação foi divulgada pela Reuters com base nas informações da AIEA. Como os inspetores internacionais não têm acesso ao território norte-coreano desde 2009, a agência acompanha o programa por imagens de satélite, fotografias divulgadas pela imprensa estatal e outros dados disponíveis remotamente.

Nova estrutura em Yongbyon

O edifício tem dois andares e, conforme a análise técnica, foi organizado para receber cascatas de centrífugas nos dois níveis. Esses equipamentos são utilizados para aumentar a concentração do isótopo urânio-235. O mesmo processo pode produzir combustível para usos civis ou, em níveis elevados, material destinado a armas nucleares.

A AIEA também observou expansão das operações em um anexo do centro de enriquecimento de Kangson, próximo a Pyongyang. A combinação dos dois movimentos indica que o governo de Kim Jong-un continua investindo em infraestrutura nuclear apesar das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Monitoramento sem acesso direto

A ausência de inspetores limita a capacidade de verificar presencialmente a configuração dos equipamentos, o volume de material produzido e a finalidade de cada instalação. Por isso, a agência apresenta suas conclusões com base em sinais observáveis, sem afirmar uma quantidade exata de urânio enriquecido pela nova unidade.

Yongbyon concentra instalações centrais do programa nuclear norte-coreano, incluindo reatores, laboratórios de reprocessamento e estruturas associadas ao enriquecimento de urânio. A nova construção reforça a preocupação de que o país esteja ampliando simultaneamente diferentes caminhos para produzir material físsil.

Impacto diplomático

A AIEA classificou a evolução como motivo de séria preocupação e reiterou que as atividades nucleares norte-coreanas violam resoluções da ONU. Pyongyang, que deixou o Tratado de Não Proliferação Nuclear e afirma que sua condição de potência nuclear é irreversível, rejeita a autoridade da agência sobre seu programa.

A ampliação ocorre em um momento de maior aproximação política e militar entre Coreia do Norte e Rússia. Embora essa relação aumente as tensões diplomáticas, as informações disponíveis não estabelecem vínculo direto entre o novo edifício de Yongbyon e acordos específicos com Moscou.

O desenvolvimento deve intensificar cobranças por monitoramento internacional e por uma retomada do diálogo sobre não proliferação. Negociações anteriores entre Pyongyang, Seul e Washington não produziram um mecanismo duradouro de inspeção ou limitação do arsenal.

A principal consequência imediata é o aumento da capacidade potencial da Coreia do Norte. O volume efetivamente produzido, o nível de enriquecimento e o cronograma operacional da instalação ainda não podem ser confirmados de forma independente no local.

Fontes: Reuters e Agência Internacional de Energia Atômica.

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