A inflação ao consumidor dos Estados Unidos acelerou em agosto, pressionada principalmente pela recuperação dos preços da gasolina. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,4% em relação a julho, quando havia subido 0,1%, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Departamento do Trabalho.
Na comparação com agosto de 2025, os preços aumentaram 3,4%, repetindo a taxa anual registrada em julho. O resultado mensal reforça a percepção de que o choque da energia voltou a pesar sobre o custo de vida, mesmo sem uma nova aceleração da taxa acumulada em 12 meses.
Gasolina responde por parte importante da pressão
A gasolina foi um dos principais componentes da alta mensal. De acordo com a Associated Press, o preço médio nacional do galão chegou a cerca de US$ 4,30 nesta sexta-feira, mais de 7% acima do nível observado um mês antes.
O encarecimento ocorre em meio às interrupções no fornecimento de petróleo e derivados provocadas pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio. O impacto não fica restrito ao abastecimento de automóveis: diesel e combustível de aviação mais caros podem elevar custos de transporte, passagens e distribuição de mercadorias.
Preços de hotéis, passagens aéreas e veículos novos e usados também subiram em agosto. Em contrapartida, alimentos comprados em supermercados e vestuário ficaram estáveis na comparação mensal, segundo a AP.
Núcleo da inflação desacelera em 12 meses
O núcleo do CPI, que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia, avançou 0,3% entre julho e agosto. Em 12 meses, a alta foi de 2,4%, abaixo dos 2,5% registrados no mês anterior. Foi a terceira desaceleração anual consecutiva dessa medida.
A leitura mostra sinais diferentes. A redução do núcleo na comparação anual sugere moderação em parte dos preços, mas a alta mensal de 0,3% indica que a pressão inflacionária ainda não desapareceu. O Federal Reserve utiliza principalmente o índice de despesas de consumo pessoal, o PCE, para acompanhar sua meta de inflação de 2%, mas o CPI influencia as expectativas do mercado e a avaliação sobre o custo de vida.
Dado aumenta a incerteza antes da reunião do Fed
O novo indicador foi divulgado poucos dias antes da reunião do Federal Reserve marcada para 15 e 16 de setembro. A Reuters informou que economistas esperavam exatamente uma alta mensal de 0,4% e uma taxa anual de 3,4%.
Antes da divulgação, os mercados atribuíam probabilidade próxima de 70% a uma elevação de 0,25 ponto percentual na taxa básica. Essa estimativa pode variar rapidamente e não representa uma decisão antecipada do banco central. Os dirigentes ainda precisam avaliar o conjunto dos dados de inflação, atividade e emprego.
Taxas de juros mais altas costumam encarecer financiamentos, cartões de crédito e empréstimos, ao mesmo tempo em que reduzem a demanda e ajudam a conter os preços. Manter os juros inalterados pode evitar pressão adicional sobre a economia, mas prolongaria o risco de a inflação permanecer acima da meta.
Energia continua sendo o principal fator de risco
A evolução dos combustíveis será decisiva para os próximos indicadores. Se os custos de energia permanecerem elevados, o impacto pode se espalhar para produtos transportados por caminhão, serviços e viagens. Se houver normalização do fornecimento, parte da alta poderá perder força.
Por enquanto, o dado de agosto confirma que a inflação americana segue acima da meta do Federal Reserve e que o orçamento das famílias continua exposto às oscilações internacionais do petróleo. A decisão de setembro dependerá de como o banco central interpretará a combinação entre a alta mensal dos preços e a desaceleração anual do núcleo.
Fontes: Reuters e Associated Press. Informações divulgadas em 11 de setembro de 2026.





